sábado, 28 de agosto de 2010

O Homem Ainda Tem Muito a Aprender

O conhecimento do homem sobre os insetos ainda é muito incompleto. A cada ano, de 7.000 a 10.000 novas espécies de insetos são descobertas. A relação entre milhares de insetos e a vida animal e vegetal ainda é desconhecida. Mas, o que já se aprendeu mostra que os insetos ocupam importantíssimo lugar na terra. Observou Carl D. Duncan, professor de entomologia e botânica:
“Talvez seja impossível visualizar adequadamente a totalidade dos efeitos proveitosos que os insetos exercem direta ou indiretamente sobre o bem-estar humano, porém os benefícios são incalculavelmente grandes.”
Amiúde, o lado negativo dos insetos recebe maior atenção. A mosca, exemplificando, é associada comumente com a transmissão de doenças. Mas, quantas pessoas pensam em seu papel como necrófaga e melhoradora e conservadora do solo, quando no estágio de larva? E, não sabia que não se conseguiu estabelecer plenamente a culpabilidade da mosca doméstica? Afirma Scientific American:
“A lista de doenças humanas e animais de que são acusadas de transmitir agora se situa em mais de 65. . . . Todavia, a evidência ainda é apenas circunstancial. A reputação das moscas domésticas é a de um homem acusado de homicídio porque foi encontrado ao lado da vítima com um revólver carregado nas mãos. Na maioria dos casos, não se pode provar conclusivamente que as moscas em pauta puxaram o gatilho do revólver.”

Controle das Plantas

Muitos insetos mostram preferir determinada espécie de planta. Seus hábitos alimentares impedem que várias plantas cresçam desenfreadamente.
Um caso em pauta é a opúncia. Esta planta foi tolamente introduzida na Austrália. Não havendo insetos inimigos para controlá-la, a opúncia espalhou-se rápido. Dentro de pouco tempo, tornou milhões de hectares de terra praticamente inadequados para a lavoura.
Daí, em 1925, foram enviados da Argentina para a Austrália 2.750 ovos da mariposa do cacto. Por fim, milhões de ovos foram distribuídos em áreas em que a opúncia tinha fincado pé. As lagartas incubadas da mariposa do cacto fizeram bem seu trabalho. Penetraram nas juntas da opúncia e assim a destruíram. Por fim, este cacto deixou de ser uma praga para a Austrália.
Outro exemplo de controle das plantas pelos insetos envolve a erva de S. João ou hipericão. Esta erva foi trazida da Europa para os EUA. Foi primeiro observada nos EUA em 1793. Por volta de 1940, milhares de hectares das pastagens do norte da Califórnia foram devastados por esta praga. Mais tarde, introduziram-se seus inimigos insetos. A respeito da efetividade de tal medida, declara Scientific American:
“A destruição do hipericão pelos besouros foi acompanhada pela volta das desejáveis plantas forrageiras. Na Califórnia, muitos milhares de hectares agora dispõem de capacidade marcantemente maior de sustentar o gado; os valores dos terrenos subiram; os gestos com o controle do hipericão são mínimos.”
Mas, será que tais insetos se tornaram uma praga desde que o hipericão passou a ser controlado? Não. Continua Scientific American:
“Devido a que os crescimentos do hipericão não mais são extensivos e as áreas infestadas se acham agora amplamente separadas, todos os importantes insetos imigrantes, que dependem totalmente do hipericão para sobreviver, decresceram em número. Felizmente, sua habilidade de localizar novas áreas infestadas e sua alta taxa de reprodução impediram qualquer ressurgimento importante do hipericão. Todos os indícios são de que esta planta nociva da pradaria será controlada e que seus controles por insetos se perpetuarão.”
Não há meio de se saber exatamente quantas plantas se tornariam pragas se não fosse pelo controle dos insetos. Mas, os exemplos adrede mencionados bem ilustram que o homem carece de ajuda dos insetos.
Até mesmo as atividades dos insetos que parecem destrutivas podem ser proveitosas para o homem. Nas florestas, os insetos realizam vital tarefa de poda. Alguns atacam e matam os galhos inferiores das árvores. Esta poda natural fornece ao homem madeira de melhor qualidade. Ainda outros insetos matam árvores. Destarte, impedem que as áreas florestais se tornem apinhadas demais. As árvores que sobrevivem conseguem crescer mais rápido. A atividade dos insetos florestais também reduz o perigo de incêndio e torna a floresta mais adequada como lar para a vida selvagem.

Que Dizer dos Insetos Que Comem Plantas?

Mas, os insetos realmente comem plantas vivas, não apenas as mortas. Não é isso prejudicial aos interesses do homem? Não necessariamente.
A observação e a pesquisa cuidadosas indicam que os insetos preferem as plantas que, de alguma forma, têm deficiências de nosso ponto de vista. Talvez seja o solo pobre, a idade da planta ou alguma condição desfavorável de crescimento que foi responsável pela deficiência.
Quando a planta fica deficiente, deveras atrai os insetos. Exemplificando: O Dr. William Albrecht, da Universidade de Missouri, EUA, dirigiu uma série de testes com o espinafre. Descobriu que os insetos conhecidos como tripes destruíam o espinafre produzido em solo pobre. Mas, o espinafre produzido em bom solo sobrevivia.
Daí, houve o caso de duas videiras que cresciam lado a lado. Uma foi atacada pelos besouros japônicos, mas a outra não foi. Todavia, as folhas de ambas as videiras estavam entrecruzadas. Os besouros só se alimentaram das folhas da videira mais antiga, que não aceitava bem a nutrição que lhe era dada.
Similar observação foi feita quanto a duas safras de alface. Uma safra fora detida por desfavoráveis condições de crescimento, e fora atacada por afídios. Mas, na alface cultivada em condições favoráveis de crescimento, no mesmo solo, não foram encontrados afídios.
Comentando por que os insetos preferem plantas que consideraríamos inferiores, o livro Our Poisoned Earth and Sky (Nossa Terra e Nosso Céu Envenenados) afirma:
“As necessidades nutritivas dos insetos são muito diferentes das do homem e dos animais. Ao passo que o homem viceja numa dieta elevada de proteínas, os insetos preferem os carboidratos. Precisam mais deles em seu sistema de operação. Um inseto pode saltar o equivalente ao Edifício ‘Empire State’ em um só pulo, falando-se comparativamente, e precisa de muitos carboidratos para ter essa energia. Assim, quando uma planta tem mais carboidratos que a outra, um inseto a procurará e a preferirá.”
Comprovando esta observação pela pesquisa científica, continua o livro:
“Conforme demonstrado pela pesquisa da Estação Experimental Agrícola de Missouri, EUA, as plantas que não obtêm matéria orgânica produzem uma quantidade desequilibrada de carboidratos às custas da proteína e dos óligominerais. Os insetos, segundo parece, preferem estas plantas ‘doces’ e conseguem atacá-las mais facilmente.”
Assim, quando os insetos comem plantas do jardim, não será que nos dizem algo? Recebem as plantas a nutrição necessária do solo? Pode-se fazer algo para remediar a condição não saudável das plantas?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

As Correições

Já observou a irresistível marcha de formigas agressivas? A marcha de centenas de milhares de formigas-correição, ou formigas-legionárias, é um dos espetáculos mais assombrosos do mundo entômico. Qualquer objeto em seu caminho é devastado por estas colunas militantes; um cavalo preso com uma corda ou um píton letárgico pode ser reduzido a simples ossos em questão de horas! Diferente de outras espécies de formigas, a correição tropical não faz um ninho, porém marcha, ou avança, quase que constantemente, em sociedades que medem, por vezes, 14,6 metros de largura.

Turmas de batedores, com cabeças grandes e impressivas mandíbulas parecidas a foices, lideram o avanço, deixando pelo caminho um rasto odorífero. A coluna principal de formigas segue sua trilha odorífica. Percorrendo mais de 200 metros por dia, e movendo-se apenas a luz do dia, esta expedição atua por cerca de duas semanas em sua busca voraz e frenética de alimentos, especialmente para nutrir as larvas que são levadas junto. Daí, há uma pausa no avanço, à medida que a rainha deposita de 100.000 a 300.000 ovos; depois de cerca de 20 dias, quando tais ovos se tornam larvas famintas, começa de novo a migração. E quem imaginaria que este temível exército de soldados e de operárias, em toda a frenética atividade, é cego!

A correição é a ‘vassoura nova que varre bem’, limpando a trilha de todos os gusanos, larvas ou quaisquer outras criaturas apanhadas desprevenidas. Ora, alguns naturais da região ficam contentes de deixá-las passar por suas casas rústicas, apenas para ter uma limpeza geral na casa!